terça-feira, 29 de novembro de 2011

A gente quer comida e arte

Em artigo recente publicado no site Fazendo Média, Gustavo Barreto defende o Vale Cultura. Entretanto, essa não é a melhor maneira de privilegiar o trabalhador brasileiro que ganha até 5 salários mínimos, já que muitas vezes com esse salário não pode manter com dignidade sua família com gastos essenciais com moradia, transporte, educação, saúde e alimentação.
                Gustavo Barreto argumenta que a cultura é essencial para o ser humano, porém mais importante é comer, vestir, cuidar da saúde e educar os filhos. Diante disso, é inevitável concordar que a cultura é importante, mas para tendê-la é melhor o governo promover uma política de recuperação do poder aquisitivo dos trabalhadores, para que eles possam consumir cultura sim, mas também atender suas necessidades básicas.
                Assim, cada família gasta o que quer e o que pode com eventos e aquisições culturais, não a imposição de R$ 50,00 obrigatórios.
                Além de melhorar o poder aquisitivo dos brasileiros, uma outra forma de incentivar a cultura é oferecer mais eventos gratuitos para toda a população e ampliar a abrangência da Lei Rouanet, de incentivo à produção cultural.
                Com estas duas medidas, torna-se mais evidente a consciência cultural dos cidadãos, que serão inseridos no universo cultural pelo seu poder aquisitivo e oferta de cultura gratuita, tendo assim supridas suas necessidades de “comida, diversão e arte”.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Corrupção cultural ou organizada? Renato Janine Ribeiro

FICAMOS MUITO atentos, nos últimos anos, a um tipo de corrupção que é muito frequente em nossa sociedade: o pequeno ato, que muitos praticam, de pedir um favor, corromper um guarda ou, mesmo, violar a lei e o bem comum para obter uma vantagem pessoal. Foi e é importante prestar atenção a essa responsabilidade que temos, quase todos, pela corrupção política -por sinal, praticada por gente eleita por nós.
Esclareço que, por corrupção, não entendo sua definição legal, mas ética. Corrupção é o que existe de mais antirrepublicano, isto é, mais contrário ao bem comum e à coisa pública. Por isso, pertence à mesma família que trafegar pelo acostamento, furar a fila, passar na frente dos outros. Às vezes é proibida por lei, outras, não.
Mas, aqui, o que conta é seu lado ético, não legal. Deputados brasileiros e britânicos fizeram despesas legais, mas não éticas. É desse universo que trato. O problema é que a corrupção "cultural", pequena, disseminada -que mencionei acima- não é a única que existe. Aliás, sua existência nos poderes públicos tem sido devassada por inúmeras iniciativas da sociedade, do Ministério Público, da Controladoria Geral da União (órgão do Executivo) e do Tribunal de Contas da União (que serve ao Legislativo).
Chamei-a de "corrupção cultural" pois expressa uma cultura forte em nosso país, que é a busca do privilégio pessoal somada a uma relação com o outro permeada pelo favor. É, sim, antirrepublicana. Dissolve ou impede a criação de laços importantes. Mas não faz sistema, não faz estrutura.
Porque há outra corrupção que, essa, sim, organiza-se sob a forma de complô para pilhar os cofres públicos -e mal deixa rastros. A corrupção "cultural" é visível para qualquer um. Suas pegadas são evidentes. Bastou colocar as contas do governo na internet para saltarem aos olhos vários gastos indevidos, os quais a mídia apontou no ano passado.
Mas nem a tapioca de R$ 8 de um ministro nem o apartamento de um reitor -gastos não republicanos- montam um complô. Não fazem parte de um sistema que vise a desviar vultosas somas dos cofres públicos. Quem desvia essas grandes somas não aparece, a não ser depois de investigações demoradas, que requerem talentos bem aprimorados -da polícia, de auditores de crimes financeiros ou mesmo de jornalistas muito especializados.
O problema é que, ao darmos tanta atenção ao que é fácil de enxergar (a corrupção "cultural"), acabamos esquecendo a enorme dimensão da corrupção estrutural, estruturada ou, como eu a chamaria, organizada.
Ora, podemos ter certeza de uma coisa: um grande corrupto não usa cartão corporativo nem gasta dinheiro da Câmara com a faxineira. Para que vai se expor com migalhas? Ele ataca somas enormes. E só pode ser pego com dificuldade.
Se lembrarmos que Al Capone acabou na cadeia por ter fraudado o Imposto de Renda, crime bem menor do que as chacinas que promoveu, é de imaginar que um megacorrupto tome cuidado com suas contas, com os detalhes que possam levá-lo à cadeia -e trate de esconder bem os caminhos que levam a seus negócios.
Penso que devemos combater os dois tipos de corrupção. A corrupção enquanto cultura nos desmoraliza como povo. Ela nos torna "blasé". Faz-nos perder o empenho em cultivar valores éticos. Porque a república é o regime por excelência da ética na política: aquele que educa as pessoas para que prefiram o bem geral à vantagem individual. Daí a importância dos exemplos, altamente pedagógicos.
Valorizar o laço social exige o fim da corrupção cultural, e isso só se consegue pela educação. Temos de fazer que as novas gerações sintam pela corrupção a mesma ojeriza que uma formação ética nos faz sentir pelo crime em geral.
Mas falar só na corrupção cultural acaba nos indignando com o pequeno criminoso e poupando o macrocorrupto. Mesmo uma sociedade como a norte-americana, em que corromper o fiscal da prefeitura é bem mais raro, teve há pouco um governo cujo vice-presidente favoreceu, antieticamente, uma empresa de suas relações na ocupação do Iraque.
A corrupção secreta e organizada não é privilégio de país pobre, "atrasado". Porém, se pensarmos que corrupção mata -porque desvia dinheiro de hospitais, de escolas, da segurança-, então a mais homicida é a corrupção estruturada. Precisamos evitar que a necessária indignação com as microcorrupções "culturais" nos leve a ignorar a grande corrupção. É mais difícil de descobrir. Mas é ela que mata mais gente.

*Artigo de Renato Janine Ribeiro, 59, professor titular de Ética e Filosofia Política do Departamento de Filosofia da USP. É autor, entre outras obras, de "República" (coleção Folha Explica, Publifolha).

Avaliação dos dois primeiros encontros do curso

                 Não é fácil dispor-se a fazer um curso no sábado de manhã, porém o esforço está valendo a pena, pois é extremamente necessário termos um conhecimento mais aprofundado sobre o gênero artigo de opinião, visto que é um dos textos de circulação na mídia e que é muito cobrado dos alunos, inclusive no Saresp.
                Com os dois encontros do curso pudemos sanar dúvidas e mudar a visão sobre  alguns aspectos do gênero: a distinção com a antiga dissertação, o esquema argumentativo, a pessoalidade do discurso.
                Com relação ao debate, aprendemos o quanto é importante a organização e o estabelecimento de regras pelos grupos. Importante também a presença de um grupo para avaliar os debatedores. Outra coisa que ficou clara é que ao propor o debate aos alunos, deve-se propiciar oportunidade dos mesmos realizarem uma pesquisa prévia para terem mais argumentos para o debate.
                A preocupação é com relação ao número de aulas e a necessidade de se cumprir o Currículo, por isso uma das opções para se trabalhar é um bimestre na disciplina de Leitura e Produção de Texto ou nas disciplinas de apoio ao currículo no Ensino Médio (DAC).

Premiar é preciso

O ser humano é movido a desafios. A atividade humana precisa ser baseada na lei da compensação, ou seja, para toda ação, uma recompensa. Sem falar na competição que move as pessoas. Através dela tentamos mostrar que somos melhores do que os outros.
Diante dessas constatações, a medida adotada pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, de premiar com um notebook os alunos que obtiverem melhor desempenho no Saresp é oportuna e válida. Fazer a prova apenas como uma forma de avaliar o sistema não causa impacto no aluno, que não se esforça o suficiente para fazê-la ou simplesmente não comparecem para fazer a prova.
                Alguns podem argumentar que premiar apenas alguns desmotiva os demais, visto que eles pensam que apenas os melhores alunos serão premiados. Aqueles alunos que tem limitações de aprendizagem sentem-se excluídos, já que não terão chance de disputar com os de maior potencial.
                Apesar desse aspecto, por alguns considerados, a mediada é plausível, visto que sem nenhum incentivo os alunos não se sentem motivados para realizar a tarefa, que consideram importante para a escola, mas não para eles, que não se sentem incluídos no processo, achando-se somente cobaias para o governo testar o sistema e pagar bônus aos professores. Por isso, é importante também a valorização individual do educando.

Comentário crítico sobre o debate acontecido no dia 05/11/2011

Analisando o debate, observamos o seguinte:
_ As normas foram estabelecidas e cumpridas no início. Em alguns momentos, no calor da discussão, houve tumulto e alguns debatedores elevaram o tom de voz. Houve algumas fals em tom nervoso e uma debatedora chegou a bater na mesa.
_ A equipe A fez retrospectiva dos anos anos passados ( em relação ao ENEM – tema do debate).
_ De maneira geral, os debatedores convenceram os ouvintes, porém utilizaram alguns argumentos de senso comum “na vida é assim” e exemplos familiares “ o meu irmão preparou-se...”.
_ Ficou clara a posição de cada grupo, os debatedores reafirmaram várias vezes “sou a favor”/ “sou contra”
_ Observa-se que para os próximos debates deve-se respeitar mais as regras  e utilizar menos argumentos do senso comum.