quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Avaliação Final do Curso

Foi muito importante para nossa formação profissional realizar o Curso Gênero Textual em Foco- Artigo de Opinião. Antes do curso, tínhamos uma ideia geral sobre o gênero, muitas vezes confundido com a dissertação escolar.
                No curso pudemos esclarecer pontos importantes como questão polêmica, estratégias argumentativas, modalizadores, operadores argumentativos, movimento argumentativo e vozes presentes no texto. A prática de escrever artigos de opinião foi primordial para exercitarmos nossa escrita e colocar em destaque os aspectos estudados. Além disso, realizar tarefas em grupo facilitou o trabalho e enriqueceu-o, pois mais de uma opinião é considerada.
                De modo geral, podemos dizer que o curso acrescentou pontos importantes para nosso aprimoramento profissional e isto deve refletir-se em sala de aula, visto que tudo o que estudamos pode e deve ser trabalhado com o aluno, além de incentivá-lo a participar da Olimpíada de Língua Portuguesa.

Violação no princípio da igualdade

O sistema de cotas presente no Brasil que dá maior acesso às universidades para negros, pardos, estudantes oriundos da rede pública e pessoas com deficiências é uma questão que entra em debate e  é de suma importância discuti-la.
                As cotas existentes no país aumentaram em 2001. A lei 30708/01, implementada no estado do Rio de Janeiro, foi a primeira a assegurar 40% das vagas a estudantes afro-descendentes e pobres nas universidades estaduais.
                Sendo assim elas ferem o princípio da igualdade, tal como definido no artigo 5º da Constituição, pelo qual “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”.
                Existindo esse meio de “favorecer” certos grupos já confirmamos o preconceito, supondo que estes não tenham a mesma capacidade intelectual dos que não são afetados pela política de cotas, e dessa maneira ao invés de progredir estamos regredindo.
                Aqueles que se dizem a favor desse método tende a explicá-lo como uma forma de compensar negros pelo que passaram em nossa história. Isso de certa forma é uma ideia errônea, pois favorecê-los dessa maneira não cessará o sofrimento e a dor que sentiram há tantos anos atrás, e que alguns ainda sentem.
                Muitos lembram-se daquela triste época nos Estados Unidos em que grande parte apoiava a Klu Klux Klan, com essas cotas talvez façamos algo parecido. Não com violência física, mas o que é muito pior, involuntariamente, praticaremos uma discriminação intelectual.
                Portanto, o sistema de cotas existente em nosso país é apenas uma forma de menosprezar aquele que a utiliza no intuito de favorecê-lo.

Iza

Quadro de Argumentos

Questão polêmica:
O sistema de cotas pode tornar a sociedade mais justa?
Informação
 O sistema de cotas é uma das ações adotadas pelo governo para possibilitar a grupos historicamente discriminados – pessoas de baixa renda, população negra e indígena, deficientes físicos etc – o ingresso em universidade pública e a gratuidade ou descontos em faculdades particulares. A principal ideia do sistema de cotas é contribuir para diminuir as desigualdades históricas sofridas por esses grupos.
Argumentos
SIM
NÃO
Autoridade
Estou convencido de que a política de cotas contribui para remediar situações sociais desvantajosa, ainda que, provisoriamente, implique tratamento diferenciado a alguns grupos sociais.
Fonte: Eduardo Prestes, ministro da Educação, durante o Congresso para a Educação Democrática
Está claro que o sistema de cotas é inconstitucional, porque vai contra a igualdade entre os cidadãos. Se a Constituição declara que todos são iguais perante a lei, não poderia haver favorecimento a nenhum segmento social

Fonte Pedro Tolentino, renomado jurista, em entrevista à TV 1
Evidência
No Brasil, o acesso ao Ensino Superior para a população negra é de 4,4% e de brancos, 16.6%. O único modo de o Estado contribuir para a redução dessa igualdade é por meio de políticas públicas que favoreçam a inserção de negros nas universidades.
Fonte: Orlando Barreto, economista, especialista em políticas públicas
O sistema de cotas raciais não pode funcionar no Brasil, pois a maior parte da população é mestiça. Por isso, há muita dificuldade em identificar quem realmente precisaria das cotas.
Fonte: Heloísa Damasceno, diretora de grêmio estudantil
Comparação
A implantação do sistema de cotas colabora para ampliar a oferta de soluções para os problemas sociais brasileiros que consideram a questão da diversidade.
Fonte: Antonio Pedro Barreto, sociólogo e reitor da Universidade do Sul
Com o sistema de cotas as universidades podem ter dificuldades para garantir o acompanhamento desses alunos, que serão prejudicados em sua formação. Assim, ma sociedade corre o risco de conviver com profissionais despreparados em áreas vitais como a da saúde.
Fonte: Helena Araújo Costa, jornalista
Exemplificação
A ideia de fazer justiça social por meio de uma política de cotas me semelhante à reserva de assentos preferenciais para idosos, gestantes e deficientes em transportes coletivos ou À oferta de bolsas de estudo em cursinhos para estudantes de escola pública.
Fonte: Patrícia Rios, socióloga
As dificuldades de relacionamento e a competição acirrada entre os que entraram na universidade pelas cotas e os demais ficaram mais acentuadas nos países em que a política de cotas foi adotada.
Fonte: Cecília KLeiman, antropóloga, especialista em questões raciais.
Princípio
Nas universidades  brasileiras pesquisadas, os estudantes que ingressaram pelo sistema de cotas apresentaram um desempenho semelhante ao de seus colegas que ingressaram pelo sistema normal.
Fonte: Instituto Nacional de Pesquisas sobre Educação
Fui contratado pelo sistema de cotas para deficientes em quatro diferentes empresas no período de um ano. Mas não permaneci em nenhuma delas porque o ambiente não foi adaptado para que eu pudesse realizar o trabalho esperado. A política de cotas para deficientes não funciona.
Fonte Maria José Pereira, deficiente física e desempregada
Causa e Consequência
A verdadeira igualdade é tratar desigualmente os desiguais. O único modo do Estado reduzir a desigualdade social é por meio de políticas públicas que favoreçam as classes mais desfavorecidas.
Fonte: Pedro Ricardo, estudante de Direito
Facilitar o ingresso na Universidade não garante o bom rendimento do aluno. Se o aluno tem uma formação escolar deficiente, ele não conseguirá acompanhar os estudos no Ensino Superior, acarretando rebaixamento do nível de exigência das universidades.
Fonte: Pedro Paulo Nogueira, estudante de engenharia
Iza
Retirado de Manual do Professor – Q. P. Brasil

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Quadro de Argumentos

Questão polêmica:
Informação:
Em pequisa realizada pela ONU o Brasil ocupa o oitavo posto de país de maior desigualdade social do mundo, ou seja, ele comporta uma grande diferença no padrão de vida entre pobres e ricos. Nas últimas décadas, a violência urbana transformou-se num dos grandes problemas da sociedade brasileira. Apesar de o Brasil não se encontrar entre os países de  maior índice de mortes por causas violentas, ele foi um daqueles em que se verificou crescimento desse indicador no período de 1979 a 1990
Argumentos
SIM
NÃO
Autoridade
 Não é a pobreza  que gera violência, mas sim as desigualdades sociais, que são mais evidentes nos grandes centros do país. Não é possível conviver com tanta desigualdade e não se revoltar.
Fonte: Marcelo Isaías, sociólogo, especialista em violência urbana, citado em reportagem do jornal “Fatos”
A violência causada pelo desemprego, pelo consumismo exagerado, pelo aumento do uso de drogas e por outros problemas relacionados Às políticas públicas de Educação, Habitação, Trabalho, Segurança, etc

Fonte: Márcio Telles Queiróz, sociólogo, em entrevista para o jornal “A cidade”
Evidência
Entre 1999 e 205 o número de homicídios no Brasil passou de 40 mil por ano para 45,7 mil, período em que o índice de desigualdade social cresceu assustadoramente. O aumento de homicídios ocorreu em cidades onde o crescimento das desigualdades foi maior.
Fonte: Instituto contra a violência
Cidades pequenas em que não existe desigualdade social e os moradores tem um padrão de vida relativamente semelhante, não estão livres de violência. Fonte: Fernando Pereira, historiador
Exemplificação
No caso de cidades pequenas, o que fica claro é que as medidas tomadas pelos prefeitos visando diminuir a desigualdade social na região provocam também uma queda nos índices de violência.
Fonte: Jornal “A Gazeta da Região Sudeste”
A violência urbana aumentou muito com o crescimento do tráfico de drogas. Os responsáveis pela violência são aqueles que consomem drogas  não as desigualdades sócias.
Fonte: Carlos Garcia Petro, economista
Princípio
O apelo ao consumo aumenta o sentimento de exclusão social, daqueles que não podem comprar os bens valorizados pela elite. Isso provoca nos que estão em situação de desigualdade o uso da violência.
Fonte: Plínio Bastos Silva, Coordenador da ONG Amigos da Cidade
A falta de carinho e atenção na infância e na juventude pode levar ao crime indivíduos de qualquer classe social.
Fonte Maria Aparecida Vilhena, redatora da revista “Cuide de seu filho “
Causa e consquência
 Cidades em que são chamadas áreas nobres e as comunidades de baixa renda são próximas apresentam maiores índices de violência. A convivência diária e constante com a desigualdade aguça a revolta e, por conseqüência, leva ao crime.
Fonte: Eduardo Coutinho Prado, geógrafo
A dificuldade em conseguir o primeiro emprego tem relação direta com o aumento da violência, pois o jovem passa a ver o ingresso na criminalidade como uma possibilidade de sobrevivência.
Fonte: Cristiana Maria Penha, economista

Lucenir
Retirado de Q.P. Manual do Professor – Olimpíada de Língua Portuguesa

Não é a desigualdade que causa a violência

Apesar da economia em alta, o Brasil é hoje, segundo pesquisa da ONU, um país campeão em desigualdade social.
                A violência aumenta assustadoramente nos grandes centros e consequentemente aumentam os sistemas de segurança por parte da sociedade.
                Mas a desigualdade social gera violência?
                Acredito que gera conflitos e um mal-estar no ser humano,  prejudicando-o em viver dignamente.
                Todo cidadão tem o direito À saúde, educação, moradia, lazer  e uma comida digna e para isso acontecer é necessário um trabalho justo e honesto.
                A pobreza não é sinônimo de bandidagem, pois há pessoas boas vivendo em favelas e pessoas desonestas morando em condomínios de luxo.
                O crime prejudica muito mais a pobreza do que os ricos, pois o pobre não pode pagar pela segurança dele e de sua família.
                Entretanto, essas pessoas tentam sobreviver nesse mundo violento e capitalista, onde a lei é para a minoria.
                Portanto, não é a desigualdade que acarreta a violência e sim as drogas, maus tratos,  a falta de amor entre as pessoas, falta de trabalho digno e principalmente o respeito uns com os outros.
                É difícil encontrar soluções para tantos problemas, mas para uma sociedade mais justa seria primordial mais vontade por falta de governantes, pessoas cumprindo seus deveres, lutando e acima de tudo, refletindo sobre seus direitos na sociedade.

Lucenir

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Questão polêmica:
Restringir a propaganda de bebidas alcoólicas diminui  o consumo?
Vários povos produzem e consomem bebidas alcoólicas há centenas de anos, mas o excesso de consumo sempre foio motivo de preocupação e de crítica. No Brasil, a primeira lei  a regulamentar a publicidade  sobre bebidas alcoólicas é de 1996. Depois dessa lei a propaganda desse tipo de produto na televisão com de 13% de teor alcoólico, com excessão do vinho e da cerveja, só pode ser feita entre 21h00 e 6h00.
Argumentos
SIM
NÃO
Autoridade
As pesquisas sobre a relação de publicidade de bebidas alcoólicas e o consumo juvenil indicam que as campanhas se estruturam para associar o álcool a dois grandes  desejos dos jovens: prestígio social e sexual.
Fonte: Ivan Souza, psicólogo especializado em estudos de prevenção ao uso de álcool e de outras drogas
O álcool é uma droga depressora do sistema nervoso central. Quem o usa em excesso procura resolver problemas pessoais, independentemente das propagandas veiculadas pelas mídias
Fonte: Regina Helena, médica do Hospital Geral
Evidência
As pesquisas demonstram que crianças expostas À propaganda de bebidas alcoólicas iniciam o consumo mais cedo.
Fonte: Jornal O Brasil e o Mundo
A proibição da propaganda de bebidas alcoólicas não é a solução. Diversaas  pesquisas demonstram que em países onde o consumo de álcool foi restringido a corrupção aumentou, com a produção e o comércio ilegal de bebidas.
Fonte: Jornal Papel Paulista
Comparação
Estudos comprovaram que em países que restringiram a publicidade de bebidas o consumo entre os jovens diminuiu.
Fonte Ângela Garcia, jornalista
Proibir a propaganda de bebidas não evita o consumo. A proibição da propaganda de cigarros não fez com que se diminuísse o número de fumantes.
Fonte: Nelson Pinheiros, publicitário
Exemplificação
Em regiões em que a propaganda de bebidas alcoólicas é liberada o consumo de álcool entre os jovens cresceu progressivamente até chegar a 50m drinques mensais aos 25 anos.
Fonte: Jornal O Brasil e o Mundo
Há quarenta anos, por exemplo, a força da publicidade na vida dos indivíduos era bem menor, nem por isso as pessoas bebiam ou fumavam menos.
Fonte: Eugênio Del Bosco, médico
Princípio
Uma das tarefas do governo é controlar as mídias, pois seus conteúdos estão cada vez piores. Isso inclui a veiculação de propagandas.
Fonte: Beatriz Costa, professora de ensino médio
O governo não pode determinar o que os cidadãos vão comer ou beber. Restringir a propaganda de bebida alcoólica é interferir no livre-arbítrio do indivíduo.
Fonte: Pedro Paulo, estudante de jornalismo
Causa e Consequência
Se há incentivo ao consumo, é claro que ele aumenta. Se não fosse assim, por que as empresas investiram tanto em publicidade dos mais diversos artigos? Com as bebidas acontece a mesma coisa.
Fonte: Luis Eulálio, especialista em psicologia comportamental.
Anunciar cerveja e cigarro é um direito. Se é permitido vender, então é permitido anunciar.
Fonte: Andrea Estevão, publicitária


Retirado de Q.P. Brasil - Manual do Professor – Olimpíada de Língua Portuguesa- Escrevendo o Futuro

Sandra

Propaganda e consumo

Permitir que propagandas sobre bebidas alcoólicas sejam veiculadas somente entre 21h00 e 6h00 é uma medida necessária para diminuir o consumo, pois se há incentivo o consumo aumenta, ao contrário de alguns que argumentam que há tempos atrás, a propaganda não era tão disseminada e nem por isso as pessoas bebiam menos.
                A propaganda é um grande incentivo ao consumo, principalmente para jovens e adolescentes, que são ainda mais influenciáveis pelas belas imagens de mulheres e homens bonitos e elegantes, carros, motos e festas. A grande influencia sobre esse público é comprovada, já que de acordo com o jornal “O Brasil e o Mundo”, em regiões em que a propaganda  de bebidas alcoólicas é liberada o consumo de álcool entre jovens cresceu progressivamente até chegar a 50 drinques mensais aos 25 anos.
Além disso, as pesquisas apontam que crianças expostas à propaganda de bebidas alcoólicas iniciam o consumo mais cedo, podendo inclusive tornar-se alcoólatra em idade madura.
Portanto, não se trata de ressuscitar a censura dos tempos da ditadura ou interferir no livre arbítrio de cada um, como alguns podem dizer,  mas pela saúde e harmonia entre as pessoas, é necessário que o governo mantenha um controle sobre as mídias e crie leis que visem acabar com o estímulo ao consumo de bebidas alcoólicas, através da restrição ou mesmo proibição desse tipo de propaganda.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Parágrafo argumentativo

A política de cotas para negros nas Universidades pretende ser um marco para corrigir as injustiças com esse povo renegado pela História, porém essa não é a melhor maneira de se resolver o problema, visto que os mesmos podem sentir-se ainda mais discriminados por não terem a mesma competência que os brancos.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

A gente quer comida e arte

Em artigo recente publicado no site Fazendo Média, Gustavo Barreto defende o Vale Cultura. Entretanto, essa não é a melhor maneira de privilegiar o trabalhador brasileiro que ganha até 5 salários mínimos, já que muitas vezes com esse salário não pode manter com dignidade sua família com gastos essenciais com moradia, transporte, educação, saúde e alimentação.
                Gustavo Barreto argumenta que a cultura é essencial para o ser humano, porém mais importante é comer, vestir, cuidar da saúde e educar os filhos. Diante disso, é inevitável concordar que a cultura é importante, mas para tendê-la é melhor o governo promover uma política de recuperação do poder aquisitivo dos trabalhadores, para que eles possam consumir cultura sim, mas também atender suas necessidades básicas.
                Assim, cada família gasta o que quer e o que pode com eventos e aquisições culturais, não a imposição de R$ 50,00 obrigatórios.
                Além de melhorar o poder aquisitivo dos brasileiros, uma outra forma de incentivar a cultura é oferecer mais eventos gratuitos para toda a população e ampliar a abrangência da Lei Rouanet, de incentivo à produção cultural.
                Com estas duas medidas, torna-se mais evidente a consciência cultural dos cidadãos, que serão inseridos no universo cultural pelo seu poder aquisitivo e oferta de cultura gratuita, tendo assim supridas suas necessidades de “comida, diversão e arte”.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Corrupção cultural ou organizada? Renato Janine Ribeiro

FICAMOS MUITO atentos, nos últimos anos, a um tipo de corrupção que é muito frequente em nossa sociedade: o pequeno ato, que muitos praticam, de pedir um favor, corromper um guarda ou, mesmo, violar a lei e o bem comum para obter uma vantagem pessoal. Foi e é importante prestar atenção a essa responsabilidade que temos, quase todos, pela corrupção política -por sinal, praticada por gente eleita por nós.
Esclareço que, por corrupção, não entendo sua definição legal, mas ética. Corrupção é o que existe de mais antirrepublicano, isto é, mais contrário ao bem comum e à coisa pública. Por isso, pertence à mesma família que trafegar pelo acostamento, furar a fila, passar na frente dos outros. Às vezes é proibida por lei, outras, não.
Mas, aqui, o que conta é seu lado ético, não legal. Deputados brasileiros e britânicos fizeram despesas legais, mas não éticas. É desse universo que trato. O problema é que a corrupção "cultural", pequena, disseminada -que mencionei acima- não é a única que existe. Aliás, sua existência nos poderes públicos tem sido devassada por inúmeras iniciativas da sociedade, do Ministério Público, da Controladoria Geral da União (órgão do Executivo) e do Tribunal de Contas da União (que serve ao Legislativo).
Chamei-a de "corrupção cultural" pois expressa uma cultura forte em nosso país, que é a busca do privilégio pessoal somada a uma relação com o outro permeada pelo favor. É, sim, antirrepublicana. Dissolve ou impede a criação de laços importantes. Mas não faz sistema, não faz estrutura.
Porque há outra corrupção que, essa, sim, organiza-se sob a forma de complô para pilhar os cofres públicos -e mal deixa rastros. A corrupção "cultural" é visível para qualquer um. Suas pegadas são evidentes. Bastou colocar as contas do governo na internet para saltarem aos olhos vários gastos indevidos, os quais a mídia apontou no ano passado.
Mas nem a tapioca de R$ 8 de um ministro nem o apartamento de um reitor -gastos não republicanos- montam um complô. Não fazem parte de um sistema que vise a desviar vultosas somas dos cofres públicos. Quem desvia essas grandes somas não aparece, a não ser depois de investigações demoradas, que requerem talentos bem aprimorados -da polícia, de auditores de crimes financeiros ou mesmo de jornalistas muito especializados.
O problema é que, ao darmos tanta atenção ao que é fácil de enxergar (a corrupção "cultural"), acabamos esquecendo a enorme dimensão da corrupção estrutural, estruturada ou, como eu a chamaria, organizada.
Ora, podemos ter certeza de uma coisa: um grande corrupto não usa cartão corporativo nem gasta dinheiro da Câmara com a faxineira. Para que vai se expor com migalhas? Ele ataca somas enormes. E só pode ser pego com dificuldade.
Se lembrarmos que Al Capone acabou na cadeia por ter fraudado o Imposto de Renda, crime bem menor do que as chacinas que promoveu, é de imaginar que um megacorrupto tome cuidado com suas contas, com os detalhes que possam levá-lo à cadeia -e trate de esconder bem os caminhos que levam a seus negócios.
Penso que devemos combater os dois tipos de corrupção. A corrupção enquanto cultura nos desmoraliza como povo. Ela nos torna "blasé". Faz-nos perder o empenho em cultivar valores éticos. Porque a república é o regime por excelência da ética na política: aquele que educa as pessoas para que prefiram o bem geral à vantagem individual. Daí a importância dos exemplos, altamente pedagógicos.
Valorizar o laço social exige o fim da corrupção cultural, e isso só se consegue pela educação. Temos de fazer que as novas gerações sintam pela corrupção a mesma ojeriza que uma formação ética nos faz sentir pelo crime em geral.
Mas falar só na corrupção cultural acaba nos indignando com o pequeno criminoso e poupando o macrocorrupto. Mesmo uma sociedade como a norte-americana, em que corromper o fiscal da prefeitura é bem mais raro, teve há pouco um governo cujo vice-presidente favoreceu, antieticamente, uma empresa de suas relações na ocupação do Iraque.
A corrupção secreta e organizada não é privilégio de país pobre, "atrasado". Porém, se pensarmos que corrupção mata -porque desvia dinheiro de hospitais, de escolas, da segurança-, então a mais homicida é a corrupção estruturada. Precisamos evitar que a necessária indignação com as microcorrupções "culturais" nos leve a ignorar a grande corrupção. É mais difícil de descobrir. Mas é ela que mata mais gente.

*Artigo de Renato Janine Ribeiro, 59, professor titular de Ética e Filosofia Política do Departamento de Filosofia da USP. É autor, entre outras obras, de "República" (coleção Folha Explica, Publifolha).

Avaliação dos dois primeiros encontros do curso

                 Não é fácil dispor-se a fazer um curso no sábado de manhã, porém o esforço está valendo a pena, pois é extremamente necessário termos um conhecimento mais aprofundado sobre o gênero artigo de opinião, visto que é um dos textos de circulação na mídia e que é muito cobrado dos alunos, inclusive no Saresp.
                Com os dois encontros do curso pudemos sanar dúvidas e mudar a visão sobre  alguns aspectos do gênero: a distinção com a antiga dissertação, o esquema argumentativo, a pessoalidade do discurso.
                Com relação ao debate, aprendemos o quanto é importante a organização e o estabelecimento de regras pelos grupos. Importante também a presença de um grupo para avaliar os debatedores. Outra coisa que ficou clara é que ao propor o debate aos alunos, deve-se propiciar oportunidade dos mesmos realizarem uma pesquisa prévia para terem mais argumentos para o debate.
                A preocupação é com relação ao número de aulas e a necessidade de se cumprir o Currículo, por isso uma das opções para se trabalhar é um bimestre na disciplina de Leitura e Produção de Texto ou nas disciplinas de apoio ao currículo no Ensino Médio (DAC).